Referências para um estudo mais aprofundado:
Niceia I – 325: Divindade do Filho, proclamada contra Ario.
Constantinopla I – 381: Divindade do Espírito Santo.
Éfeso – 431: Maternidade divina (contra Nestório, que dizia que em Cristo há duas pessoas, a divina e a humana).
Calcedónia – 451: Duas naturezas na pessoa única de Cristo (conta o monofisismo de Eutiques, que dizia que em Cristo há uma natureza, a divina).
Constantinopla II – 552: Condenação dos representantes mais significativos dos Nestorianos.
Constantinopla III - 680-681: Condenação do monotelismo, que dizia que em Cristo há duas naturezas, uma vontade (a divina).
Wednesday, June 13, 2007
Duas escolas e correntes teológicas
Destacam-se duas escolas :
Escola de Alexandria, destinada a preparar os catecúmenos e transformada em escola superior de filosofia e teologia. Mestres ilustres Clemente de Alexandria e Orígenes.
- Platonismo, simbolismo, mística, sentido alegórico da Escrituras.
Escola de Antioquia (Síria)
Escola de exegese que procura o sentido histórico ou literal
- séc. IV e V: Diodoro de Tarso; Teodoro de Mopsuéstia; João Crisóstomo, Teodoreto de Ciro.
Escola de Alexandria, destinada a preparar os catecúmenos e transformada em escola superior de filosofia e teologia. Mestres ilustres Clemente de Alexandria e Orígenes.
- Platonismo, simbolismo, mística, sentido alegórico da Escrituras.
Escola de Antioquia (Síria)
Escola de exegese que procura o sentido histórico ou literal
- séc. IV e V: Diodoro de Tarso; Teodoro de Mopsuéstia; João Crisóstomo, Teodoreto de Ciro.
Orígenes
Orígenes (185-254)
- o maior pensador cristão antes de Agostinho
- de cultura helenística, neoplatónica
- nova linguagem, ousada
- leitura crítica da escritura
- a filosofia tem uma função propedêutica
- aplica ao estudo da escritura as tipologias, o sentido espiritual, as alegorias
- imaginação ao serviço do fervor cristão.
Exemplo do sentido espiritual de uma passagem de Lucas (10,30-37)
“Certo homem descia de Jerusalém para Jericó”. Vemos, neste homem, Adão, o homem e o seu verdadeiro destino, a queda que se seguiu à desobediência; “Jerusalém” é o paraíso ou a Jerusalém, celeste, e “Jericó” é o mundo; os “ladrões” representam as potências hostis, os demónios ou esses falsos doutores que chegaram antes de Cristo; as “chagas”, a desobediência e o pecado; o “roubo dos vestidos” figura o despojamento da incorruptibilidade e da imortalidade, como também de todas as virtudes; “o homem abandonado meio-morto” simboliza o estado actual da nossa natureza que se tornou meio mortal (a alma, de facto, é imortal); o “sacerdotes” é a Lei; o “levita”, a profecia; o “Samaritano” é cristo que tomou carne no seio da Virgem Maria; o “vinho” é a palavra do Seu ensinamento (que cura “reconciliando”); o “azeite” é a palavra de benevolência para com os homens e de compassiva misericórdia; o “albergue” é a Igreja; o “estalajadeiro” representa os Apóstolos e os seus sucessores, os bispos e os doutores da Igreja (...); o “regresso do Samaritano” é a segunda manifestação de Cristo.
Orígenes, in “Homilias sobre Lucas”
- o maior pensador cristão antes de Agostinho
- de cultura helenística, neoplatónica
- nova linguagem, ousada
- leitura crítica da escritura
- a filosofia tem uma função propedêutica
- aplica ao estudo da escritura as tipologias, o sentido espiritual, as alegorias
- imaginação ao serviço do fervor cristão.
Exemplo do sentido espiritual de uma passagem de Lucas (10,30-37)
“Certo homem descia de Jerusalém para Jericó”. Vemos, neste homem, Adão, o homem e o seu verdadeiro destino, a queda que se seguiu à desobediência; “Jerusalém” é o paraíso ou a Jerusalém, celeste, e “Jericó” é o mundo; os “ladrões” representam as potências hostis, os demónios ou esses falsos doutores que chegaram antes de Cristo; as “chagas”, a desobediência e o pecado; o “roubo dos vestidos” figura o despojamento da incorruptibilidade e da imortalidade, como também de todas as virtudes; “o homem abandonado meio-morto” simboliza o estado actual da nossa natureza que se tornou meio mortal (a alma, de facto, é imortal); o “sacerdotes” é a Lei; o “levita”, a profecia; o “Samaritano” é cristo que tomou carne no seio da Virgem Maria; o “vinho” é a palavra do Seu ensinamento (que cura “reconciliando”); o “azeite” é a palavra de benevolência para com os homens e de compassiva misericórdia; o “albergue” é a Igreja; o “estalajadeiro” representa os Apóstolos e os seus sucessores, os bispos e os doutores da Igreja (...); o “regresso do Samaritano” é a segunda manifestação de Cristo.
Orígenes, in “Homilias sobre Lucas”
Ireneu e o Gnosticismo
Ireneu de LiãoOutro nome que se destaca neste período: Ireneu de Lião (130-200)– “Pai da ortodoxia cristã”, “Pai da dogmática”, escreveu contra o gnosticismo e a favor da tradição (que é pública, única e pneumática). Obras: Contra as heresias; Demonstração do ensino apostólico. Note-se que a tradição católica sempre soube da existência de um "Evangelho de Judas" graças aos escritos de Ireneu, que o cita. Segundo a tradição, Ireneu, que era natural de Esmirna (Turquia), foi discípulo de Policarpo de Esmirna, que foi discípulo do apóstolo João, que foi discípulo de Jesus.
“Segundo Marcião [gnóstico que distinguia o Deus do AT, criador e mau, do Deus de Amor do NT], não haverá salvação senão para as almas que tiverem aceitado o seu ensinamento; quanto ao corpo, como veio da terra, não pode participar da salvação”.
Ireneu de Lião, in "Contra as Heresias"
O que é gnosticismo
- doutrina que afirmava que a fé ensinada pela Igreja não era mais do que um simbolismo para os simples, pois não são capazes de compreender coisas difíceis; pelo contrário, os iniciados, os intelectuais – chamados gnósticos – poderiam compreender o que se escondia detrás destes símbolos e desde modo formariam um cristianismo de elite, intelectualista (Bento XVI, 28-03-07)
- Origens: religiões da Pérsia, masdaísmo, neoplatonismo
- Gnosticismo cristão: Valentino, Basílides, Marcião
- Conceitos comuns às gnoses: dualismo (Deus bom opõe-se a Deus mau e o mundo material ao Criador); o mundo foi criado por emanação e é uma degradação; o mediador traz a salvação através do conhecimento que liberta as almas prisioneiras da matéria para se unir ao divino; desvalorização do corpo (mas, por vezes, exacerbação do corpo).
- Escritos gnósticos: Evangelho de Judas; Evangelho de Tomé; Evangelhos de Nag Hammadi, entre muitos outros.
Tertuliano e alguns textos
Tertuliano introduz o termo "trinitas" (trindade). Advogado convertido ao cristianismo.Grande pensador. Dele é esta frase constantemente citada: "O sangue dos mártires é semente de novos cristãos".
Aderiu ao montanismo.
Montanismo (de Montano, padre da Ásia Menor que chega a intitular-se o "Paráclito" prometido por Jesus): movimento herético cristão, surgido na segunda metade do séc. II. Esperavam o iminente regresso de Cristo à terra, pelo que viviam com o mais rigoroso ascetismo. Davam mais valor aos profetas carismáticos do que aos bispos. Importante presença feminina no movimento.
Tertuliano, no início pensa que os pecados graves podem ser perdoados uma vez na vida. Quando adere à seita, considera que alguns, como o adultério, jamais poderão ser perdoados em vida.
Tertuliano, no início pensa que os pecados graves podem ser perdoados uma vez na vida. Quando adere à seita, considera que alguns, como o adultério, jamais poderão ser perdoados em vida.
“Fora todas as tentativas de elaborar um cristianismo enfeitado com os elementos procedentes do estoicismo, do platonismo e da dialéctica! Não temos necessidade de discussões intrincadas, porque temos Jesus cristo: nem temos curiosidade, porque temos o Evangelho. Possuindo a nossa fé, não desejamos nenhuma outra ciência”
In “Prescrição contra os hereges”
“Será permitido ao cristão viver de espada na mão, quando o Senhor afirmou que quem se servir da espada morrerá pela espada? Há-de ir ao combate o filho da paz, ao qual está mesmo interdita a disputa? (...) Há-de fazer guarda diante dos templos aos quais renunciou? (...) Há-de levar o estandarte rival de Cristo?
In “A Coroa dos Militares”
História da Teologia - Patrística 2
Por "Padres da Igreja" pode-se designar todos os pensadores cristãos dos primeiros séculos. São os pais da Igreja (como há os pais na nação, os pais fundadores, os pais da democracia...). Mas alguns preferem introduzir precisões.
Escritores eclesiásticos
Assim, aos que não são plenamente ortodoxos, seguindo S. Jerónimo, chamamos "escritores eclesiásticos". É o caso de Tertuliano, Orígenes ou Eusébio de Cesareia. Curiosamente, todos eles muito mais importantes que muitos verdadeiros Padres da Igreja.
Padres apostólicos
Aos mais antigos dos Padres da Igreja, chamamos padres apostólicos. Escrevem para as suas comunidades, tentando resolver problemas das comunidades. São já teólogos? Não têm pretensões doutrinais. São dos testemunhos mais antigos da fé cristã. Ligação da primeira geração pós-postólica à Igreja apostólica: Clemente Romano, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Papias, Hermas.
Padres apologetas
Partir do séc. II surgem alguns que responde a calúnias. Tentam defender o cristianismo e apresentar a essência da nova fé. São os padres apologetas, mediadores entre o cristianismo e cultura helenística. São pagãos, intelectuais e filósofos que se convertem: Aristides, Justino: e a sua "Apologias" (dirige-se aos pagãos) e o "Diálogo com Trifão" (dirige-se a um grego), Taciano, o Sírio e o "Discurso aos gregos"; Atenágoras; Teófilo de Alexandria; Minúcio Félix e o "Diálogo com Octávio", Tertuliano.
Estes pensadores cristãos estão na Palestina, no Norte de África (Cartago e Alexandria são centros culturais ao nível de Roma e Antioquia), na Ásia Menor, em Roma e na Grécia.
Escritores eclesiásticos
Assim, aos que não são plenamente ortodoxos, seguindo S. Jerónimo, chamamos "escritores eclesiásticos". É o caso de Tertuliano, Orígenes ou Eusébio de Cesareia. Curiosamente, todos eles muito mais importantes que muitos verdadeiros Padres da Igreja.
Padres apostólicos
Aos mais antigos dos Padres da Igreja, chamamos padres apostólicos. Escrevem para as suas comunidades, tentando resolver problemas das comunidades. São já teólogos? Não têm pretensões doutrinais. São dos testemunhos mais antigos da fé cristã. Ligação da primeira geração pós-postólica à Igreja apostólica: Clemente Romano, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Papias, Hermas.
Padres apologetas
Partir do séc. II surgem alguns que responde a calúnias. Tentam defender o cristianismo e apresentar a essência da nova fé. São os padres apologetas, mediadores entre o cristianismo e cultura helenística. São pagãos, intelectuais e filósofos que se convertem: Aristides, Justino: e a sua "Apologias" (dirige-se aos pagãos) e o "Diálogo com Trifão" (dirige-se a um grego), Taciano, o Sírio e o "Discurso aos gregos"; Atenágoras; Teófilo de Alexandria; Minúcio Félix e o "Diálogo com Octávio", Tertuliano.
Estes pensadores cristãos estão na Palestina, no Norte de África (Cartago e Alexandria são centros culturais ao nível de Roma e Antioquia), na Ásia Menor, em Roma e na Grécia.
História da Teologia - Patrística 1
O período da Patrística desenrola-se até ao séc. VII, embora o período de ouro sejam os séc. III-V. O que mais condiciona o cistianismo nesta época é a transição do judaísmo para o ambiente cultural grego, a conquista espiritual do Império Romano e a progressiva separação entre Latinos e Gregos.
Ao longo deste tempo, a liberdade de culto para os judeo-cristãos tem várias nuances. Por um lado, sempre o judaísmo foi entendido com uma excepção e, por isso, tolerado no Império. Com os cristãos, tudo indica que no início assim foi, mas a partir do ano 60, com o Imperador Nero, começam as perseguições. Em 313 surge com Constantino a liberdade de consciência e liberdade para todos os cultos. Em 356, Constâncio proíbe sacrifícios e fecha templos pagãos, mas com grande tolerância. Em 361-363, regressa o paganismo com Juliano (que ficou conhecido como "o Apóstata") (a propósito de Juliano, vale a pena ler como Bento XVI a ele se refere. Ver número 24 de Deus Caritas Est). Em 380, com Teodósio, o cristianismo torna-se religião oficial e obrigatória. Em relativamente pouco tempo, de perseguidos, os cristãos passarão a perseguidores. (Nesta questão, como em todas, convém não fazer juízos apressados e tentar perceber como a união de culto era entendida como fundamental para a união do Estado.)
A teologia reflecte este contexto. Numa fase de cristãos em minoria confronta-se com a cutlura grega e surgem os apologistas. Quando o cristianismo é maioritário (mesmo sem ainda perseguir), surge a teologia mais contemplativa, a par com as correntes monásticas (ainda apenas na origem) e de espiritualidade do deserto.
Ao longo deste tempo, a liberdade de culto para os judeo-cristãos tem várias nuances. Por um lado, sempre o judaísmo foi entendido com uma excepção e, por isso, tolerado no Império. Com os cristãos, tudo indica que no início assim foi, mas a partir do ano 60, com o Imperador Nero, começam as perseguições. Em 313 surge com Constantino a liberdade de consciência e liberdade para todos os cultos. Em 356, Constâncio proíbe sacrifícios e fecha templos pagãos, mas com grande tolerância. Em 361-363, regressa o paganismo com Juliano (que ficou conhecido como "o Apóstata") (a propósito de Juliano, vale a pena ler como Bento XVI a ele se refere. Ver número 24 de Deus Caritas Est). Em 380, com Teodósio, o cristianismo torna-se religião oficial e obrigatória. Em relativamente pouco tempo, de perseguidos, os cristãos passarão a perseguidores. (Nesta questão, como em todas, convém não fazer juízos apressados e tentar perceber como a união de culto era entendida como fundamental para a união do Estado.)
A teologia reflecte este contexto. Numa fase de cristãos em minoria confronta-se com a cutlura grega e surgem os apologistas. Quando o cristianismo é maioritário (mesmo sem ainda perseguir), surge a teologia mais contemplativa, a par com as correntes monásticas (ainda apenas na origem) e de espiritualidade do deserto.
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